domingo, 26 de fevereiro de 2012

DA DIFERENÇA

A diferença pode ter três significações. Tem significação comum quando uma coisa se distingue de outra por qualquer alteridade, seja em relação a si mesma, seja em relação a qualquer outra (eu sou diferente da minha mãe primeiro porque sou outro indivíduo; diferente de mim mesma porque umas vezes estou em acção, outras em repouso, etc.); tem significação próprio quando difere de outra coisa por virtude de um acidente inseparável (o facto de uma pessoa ter olhos azuis é um acidente inseparável pois nunca o poderá alterar); tem significação maximamente própria quando uma coisa é diferente de outra por se distinguir por um predicado especial (um peixe difere de um homem na medida em que consegue viver debaixo de água).
Toda a diferença que se predica de um ser modifica este ser, mas as diferenças comuns ou próprias dão-lhe uma outra qualidade, enquanto as diferenças mais próprias fazem dele mesmo outro. Assim às diferenças que fazem outro chamamos diferenças específicas; às diferenças que alteram a qualidade chamamos apenas diferenças. É pelas diferenças que tornam o sujeito outro que se produzem as divisões dos géneros em espécies e que se formulam as definições; pelo contrário, as diferenças que só alteram a qualidade apenas constituem as diversidades e as modificações do modo de estar.
As diferenças podem ser separáveis ou inseparáveis, sendo que as inseparáveis podem ser predicados essenciais (fazem outro sujeito pois estão na definição de substância) ou predicados acidentais (mudam a qualidade do sujeito).
A diferença também pode ter mais definições. É o que se predica na categoria de qualidade a uma pluralidade de termos diferentes segundo a espécie e o que se para por natureza os termos subordinados ao mesmo género. Pode ser também o que difere as coisas umas das outras por essência.

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